Grupo de Gestão Integrada
Grupo de Gestão Integrada se reúne para discutir acesso ao crédito
Repórter: Albani Mendonça | Edição: Albani Mendonça | Foto: Albani Mendonça

O GGI (Grupo de Gestão Integrada) para o desenvolvimento regional sustentável de Roraima, formado por órgãos públicos, instituições financeiras e setor produtivo, esteve reunido na quinta-feira, 31, para discutir iniciativas de facilitação de acesso ao crédito para o agronegócio empresarial e familiar.

Na ocasião foram formados comitês para discussões sobre regularização fundiária e crédito, e o Banco da Amazônia anunciou a liberação, para abril, de R$40 milhões em linhas de financiamento.

Participaram do encontro representantes de instituições do Sistema financeiro nacional, Banco da Amazônia, Banco do Brasil, CEF (Caixa Econômica Federal) e AFERR (Agência de Fomento de Roraima); dos segmentos do agronegócio empresarial e familiar, além de órgãos estaduais, executores de ações do Progredirr (Programa de Desenvolvimento Sustentável, Geração de Emprego e Renda de Roraima.

Mediador dos diálogos, o secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento, Alexandre Henklain, destacou a importância das atividades do Grupo de Gestão Integrada, criado com o objetivo de articular, com instituições financeiras e setor produtivo, propostas e soluções para acelerar o processo de concessão de financiamentos de forma segura, a fim de promover o desenvolvimento econômico do Estado.

“Temos um grande desafio. Estamos na 12ª colocação no ranking do desenvolvimento socioeconômico do País. Isso se deve principalmente a indicadores sociais. Com índices econômicos mais avançados, estaríamos em posição melhor. Somos o centro de uma região geoeconômica importante, com acesso a relevantes mercados consumidores”, disse.

“Em 2015, tivemos crescimento de 0,7%, mesmo com a crise na economia nacional. O que buscamos com essas parcerias é fomentar o desenvolvimento do setor produtivo, garantindo que Roraima se distancie, cada vez mais, dessa crise”, complementou.

A meta do governo para 2016 é ultrapassar R$200 milhões em liberação de crédito, possibilitando a expansão do agronegócio empresarial, além de dobrar o número de produtores da agricultura familiar com acesso a esses capitais, ampliando a base social no processo produtivo.

No encontro, o gerente do Banco da Amazônia, que administra recursos como o FDA (Fundo de Desenvolvimento da Amazônia) e o FNO (Fundo Constitucional do Norte), Misael Moreno, anunciou a liberação de R$40 milhões, em abril, para financiamentos de projetos, sendo que alguns ainda estão em fase de análise.

Na primeira reunião do Grupo, no dia 26 de fevereiro, o Basa e o Banco do Brasil anunciaram, respectivamente, os montantes de R$167 milhões e R$260 milhões para oferecimento de linhas de crédito destinadas ao agronegócio em Roraima.

Também foi discutido no encontro, a recuperação de crédito, com redução e controle da inadimplência das novas operações; segurança das operações para os bancos e para os empreendedores e desburocratização e agilidade nos processos de liberação de crédito por parte dos agentes financeiros. Além disso, foram criados dois comitês, um para tratar da regularização fundiária, e outro para tratar do acesso ao crédito.

Os agentes financeiros e os representantes do setor produtivo foram unânimes em reconhecer a regularização fundiária como o mais relevante entrave a ser resolvido pelo Estado, a fim de garantir segurança jurídica e possibilitar obtenção de crédito pelos produtores.

O empresário Jorge Lopes, que trabalha com plantio de tomate e de melão na região do Tucano, município de Bonfim, se posicionou sobre o tema. Ele elogiou a atuação do governo na resolução definitiva do impasse relacionado à Unidade de Conservação do Lavrado, porém ressaltou a necessidade de solucionar também questões referentes à titulação de terras.

“Estamos na porta da Europa e da Ásia, com enormes possibilidades de desenvolvimento e precisamos que haja uma força tarefa para dar um passo adiante na questão das terras. Em tão pouco tempo o Estado resolveu a situação da Unidade de Conservação do Lavrado e isso foi muito importante, mas é preciso resolver também a regularização fundiária”, disse.

Atualmente, o Iteraima (Instituto de Terras de Roraima) trabalha na análise de 980 títulos definitivos, emitidos entre os anos de 2009 e 2012. Eles foram questionados pelo MPF (Ministério Público Federal), por conterem vícios formais, e uma comissão avalia, caso a caso, para solucionar essas pendências. A titulação de terras volta a ser objeto de debates em reuniões do Comitê, criado para tratar desse tema, e na próxima reunião do Grupo de Gestão Integrada, agendada para o dia 28 de abril.

Assistência técnica para elaboração de projetos na busca por recursos oferecidos por meio de linhas de crédito e negociação das dívidas dos agricultores prejudicados pela estiagem deste ano também foram assuntos abordados no encontro. Os agentes financeiros aconselharam os produtores que tiveram prejuízos com a seca a procurarem os bancos para prorrogação de prazos de quitação das dívidas, antes do dia de vencimento das parcelas.